OSCAR BESSI: Eles sempre atacam de surpresa

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TGFPor Oscar Bessi

Assaltos e latrocínios se repetem. A vida vale menos que um papel de bala. Nesta semana, a tristeza tomou conta do meio policial com a execução do Tenente José da Silva Rosa. Um sujeito camarada, guerreiro de coragem extrema que deu a vida pela sociedade ao encarar as missões mais arriscadas no grupo de elite da Brigada Militar. Iniciava nova vida no merecido descanso, cheio de planos, mas foi assassinado perto de casa. Ladrões o atacaram para levar seu carro. Que a Robauto, apesar das duras investidas policiais, segue firme e forte, enraizada na irresponsável cultura consumista brasileira e adubada pela incompetência gerencial que nos conduz, além do triste jeitinho, malandro e criminoso, que garante a falsa ostentação. Que alimenta o crime.

Sou contra o discurso, em mídia, de jamais reagir. Não considero um conselho positivo, apesar de sabê-lo lúcido e técnico. Mas fica muito ruim ouvi-lo de autoridades e repetido na mídia. Soa mais como um incentivo ao criminoso do tipo “ataque, meu caro, sirva-se à vontade que nada te acontecerá”. A liberdade de expressão é linda, mas há o que se diz em treinamentos fechados. Palavras que decolarão ao sabor do vento carecem de uma análise muito ampla sobre seus efeitos. Convenhamos, não é apenas a reação que define a vontade do sujeito de te matar. É ele. Seu interno. Quantos não esboçaram mínima reação e foram mortos friamente? O que assusta é essa ousadia insana, o limite rompido, a banal convicção de se sair impune de qualquer crime. Ouvi de muitos, o Tenente estaria vivo se não reagisse. Será? E o sargento em São Paulo, que calibrava o pneu do carro e não fez qualquer gesto, nem de tirar a mangueira de ar da roda, mas apenas por ser reconhecido como policial foi assassinado na frente do filho? E Carina, dentro de um ônibus em Porto Alegre, que nada disse e nada fez, mas foi identificada e executada de joelhos em meio aos passageiros? Dar palpite é fácil. Escolher a sobrevivência é loteria.

Há uma verdade que precisamos considerar: exceto os grandes criminosos – estes bem ocupados, bem vestidos e até investidos de poder -, nossos assaltantes comuns têm como único ofício estudar suas vítimas. Nós, ocupados e preocupados com mil coisas, somos o alvo. E quando nos atacam, eles é que observaram antes, eles é que sabem tudo o que está ao nosso redor, não nós. Quantos são? Onde estão? Quais armas? Não somos adivinhos. Somos humanos comuns, a pagar impostos aos borbotões para assistir nada além da apatia e lero-lero que nos jogam num oceano de descaso, medo e incentivo à ousadia – até arrogância! – dos criminosos. Restamos quase sozinhos nesta guerra, clamando por paz, mas perdendo terreno. Restam mais histórias de dor. Nada além.

CORREIO DO POVO