Bombeiros da região de Santa Maria receberam 3,6 mil trotes no 1º semestre de 2016

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Em 2014, bombeiros deslocaram três viaturas e oito profissionais para combater um incêndio que não existia próximo de uma escola no bairro Nova Santa Marta em Santa Maria Foto: Jean Pimentel /Agencia RBS
Em 2014, bombeiros deslocaram três viaturas e oito profissionais para combater um incêndio que não existia próximo de uma escola no bairro Nova Santa Marta em Santa Maria
Foto: Jean Pimentel /Agencia RBS

Prática é crime e compromete o trabalho da corporação

O 4º Comando Regional dos Bombeiros (4º CRB) aponta que só no primeiro semestre deste ano, em Santa Maria e Região, o quartel recebeu 3,6 mil trotes por telefone.

É uma média de 20 até 25 trotes por dia. A situação é considerada grave porque, com o efetivo (de pessoal e equipamento) limitado, caso uma equipe saia para atender a uma ocorrência falsa e ao mesmo tempo ocorra um acidente de fato, por exemplo, esse acidente levará mais tempo para ser atendido – e o tempo pode ser decisivo se houver vítimas.

Na última semana, em São Sepé, o Corpo de Bombeiros foi chamado para atender a uma ocorrência de incêndio em uma escola. O local era no interior, ou seja, distante do perímetro urbano. Quando a equipe chegou ao destino, percebeu que a denúncia por telefone era falsa.

Em novembro de 2015, um trote mobilizou Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para atender a um acidente na BR-392, em Santa Maria, que não tinha acontecido.

O mesmo aconteceu em maio e julho de 2014 em Santa Maria e Caçapava do Sul, quando se deslocaram para o bairro Nova Santa Marta, para combater um incêndio que não existia próximo de uma escola, e para a BR-153, limite com Bagé, para atender a um acidente que não tinha acontecido.

O capitão Elisandro Machado, chefe de seção em Santa Maria, aponta que 99% dos trotes que chegam por telefone são identificados. O telefonista faz uma série de perguntas-padrão que ajudam na identificação e toma precauções, mas não são métodos 100% a prova de falhas.

“São perguntas que seriam feitas de qualquer forma, mas que dão segurança nesses casos. Por exemplo: pedimos o telefone da pessoa e que ele esteja com ele sempre a mão. Pouco depois de ter encerrado a ligação, nós ligamos para esse número. Caso ninguém atenda, é um indicativo de que pode ser uma comunicação falsa”, explica.

E comunicação falsa é crime. O artigo 266 do Código Penal descreve que, em casos de trote, “interromper ou perturbar o serviço telefônico é crime e o infrator poderá incorrer em pena de detenção de um a seis meses ou multa”.

No entanto, conforme o capitão Machado, a maioria das ligações são de adolescentes e crianças, já que é simples teclar 193 logo se acredita que a solução esteja na educação, e não uma punição criminal. Os bombeiros têm feito trabalhos junto a escolas e criou o programa para bombeiros-mirim.

“Nós servimos à população e contamos com o bom senso dela”, conclui o capitão Machado.

GAÚCHA SM