CORREIO DO POVO: PLANO- OAB propõe cruzada pela segurança pública

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CRRROrdem pretende dar voz às entidades de classe da área. Ontem, foi feita uma reunião com representantes

A Ordem dos Advogados Brasil, seção Rio Grande do Sul (OAB/RS) reuniu ontem em sua sede na Capital os representantes de sindicatos e entidades da segurança para discutir o Plano Estadual de Segurança Pública, apresentado pelo governador José Ivo Sartori na última quinta-feira. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Breier, o plano não atende às necessidades da sociedade. Entre outros fatores, salienta Breier, o plano não institui uma política preventiva de segurança. Ele aponta também falta de diálogo para a formatação da proposta. Considerando a apresentação dos anseios dos profissionais da área, Breier solicitou que, em um prazo de 15 dias, cada instituição faça o seu plano de segurança pública e o leve para a OAB/RS. Os projetos serão compilados e uma proposta única será apresentada para a sociedade. “A segurança está falida e o projeto do governo não tem eficácia. A OAB vai dar voz às entidades e nós vamos vencer essa batalha com informação”, disse. Para o presidente da Abamf, Leonel Lucas, falta planejamento para o Estado ter uma segurança pública eficiente. “Se não tiver planejamento tudo vai para o ralo”, afirma. “Até agora a Secretaria de Segurança Pública e o governo do Estado não têm um planejamento. É possível, com menos dinheiro e mais planejamento, se fazer uma boa segurança pública”, comenta Lucas. Segundo ele, o efetivo atual da Brigada Militar é de 15 mil soldados. O ideal seria 37 mil. Somente em 2015, 2.099 brigadianos deixaram os quadros da BM. Neste ano, 1.082 já saíram da corporação. “O Estado sempre maquiou os números da BM”, acusa Lucas. “O governo conta como se fossem 20 mil PMs”. Se o efetivo da BM que tira serviço na rua for dividido pelo número da população gaúcha, serão cerca de 750 pessoas para cada PM. Lucas destacou que apenas 40% dos municípios possuem policiamento ostensivo. Os números apresentados pelo Corpo de Bombeiros também apresentam déficit. O RS conta com 2,3 mil bombeiros, quando deveriam ser 4,8 mil. Apenas 19% dos municípios contam com um quartel da corporação. Também participaram da reunião representantes da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes, Associação dos Oficiais Subalternos da Brigada Militar, Associação de Bombeiros do Estado, Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia, Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado e Sindicato dos Servidores do IGP.

Breier fala sobre criação de plano

Avaliando como insuficiente o pacote apresentado pelo governo do Estado contra a criminalidade, o presidente da OAB/RS, Ricardo Ferreira Breier, defende a criação de uma política de Estado para enfrentar os criminosos. Ontem, Breier, acompanhado do chefe de gabinete da Ordem, Júlio César Caspani, expôs o que foi conversado com as entidades de classe da área ao diretor executivo do Correio do Povo, Cleber Nascimento Dias, e ao diretor-geral da Rádio Guaíba, Luciano Araújo.

Amapergs faz alerta

O presidente da Amapergs Sindicato, Flávio Berneira, alertou que o pacote da Segurança Pública deixou de fora duas carreiras da Susepe e não autorizou a convocação de aprovados do último concurso, que vence dentro de um mês.

‘População se sentirá segura’

O secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini, assegurou ontem na Rádio Guaíba que o aumento do efetivo da Brigada Militar, previsto no pacote anunciado pelo governo na última quinta-feira, será percebido pela população. Ele citou que a “sensação de segurança” virá com o ingresso gradual de 2 mil novos policiais militares até o início de 2018. Jacini citou que os primeiros 530 brigadianos formados significarão 265 equipes nas ruas, se forem formadas duplas ou quase 180 equipes, no caso de trios. Com todos os 2 mil novos PMs, calculou, serão mil equipes de duplas ou quase 700 equipes em três. Porto Alegre e outras 18 cidades serão contempladas com o reforço de efetivo da Brigada Militar e também com a entrada progressiva de mais 661 policiais civis. As 19 cidades escolhidas respondem por mais de 85% dos crimes ocorridos no RS. A segunda fase do Plano Estadual de Segurança Pública, que contempla uma série de medidas, tem investimento de R$ 166,9 milhões. Outro fator que incrementará emergencialmente o policiamento ostensivo e as investigações e operações é o pagamento de diá- rias e horas extras. Com o efetivo reforçado na BM, assinalou o secretário, a operação Avante será beneficiada. “Vamos duplicar a operação Avante e ampliá- la para a Região Metropolitana e para as 19 cidades mais violentas”, afirmou o secretário.