GAÚCHA: Assaltos, furtos e insegurança: a rotina no comércio de Porto Alegre

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Ação do criminoso durante assalto em mercado no Menino Deus flagrada por câmeras Foto: Reprodução /Câmeras de segurança
Ação do criminoso durante assalto em mercado no Menino Deus flagrada por câmeras
Foto: Reprodução /Câmeras de segurança

De 35 estabelecimentos visitados pela reportagem da Gaúcha, 29 já haviam sido assaltados

Quando comprou um mercado na rua Botafogo, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, o empresário o Juliano Bernardon não imaginava que seria vítima dos criminosos tantas vezes. De lá para cá já foram sete ataques, entre assaltos e arrombamentos.

“Chegava, encontrava tudo revirado, e os bandidos já tinham ido embora. É muito triste. Você acorda de madrugada, no seu momento de descanso, com vizinhos ligando, dizendo que o mercado foi assaltado, e você chega e encontra a destruição”, contou Juliano.

O caso relatado por ele é comum na Capital. A reportagem da Rádio Gaúcha percorreu 35 estabelecimentos nos bairros Azenha, Menino Deus, Centro, Independência, Floresta e Bom Fim. Do total, 29 já tinham sido alvo de assaltos ou arrombamentos, pelo menos uma vez.

Na rua Lima e Silva, a dona de uma tabacaria que prefere não se identificar já foi vítima dos criminosos duas vezes. O estabelecimento foi aberto há apenas seis meses.

“Uma vez um homem com uma faca. Na outra vez me abordaram na porta. Tem que se cuidar. Sábado eu já não abro durante o dia. Me sinto mais segura de noite, quando há grande circulação de pessoas pelo bairro”, disse ela.

Os constantes assaltos, a falta de segurança, também fizeram uma lancheira no bairro Menino Deus trabalhar com as grades fechadas e também antecipar o horário de fechamento.

“Antes funcionávamos até as duas da manhã. Agora, no máximo meia-noite estamos fechando. Na tele-entrega que funciona aqui ao lado, só trabalhamos com as grades trancadas”, contou uma das sócias.

Na rua André da Rocha, um mercado que fica próximo da avenida João Pessoa não tem sido assaltada nos últimos meses. Mas, no passado, chegou a ser atacado duas vezes em um único dia.

“Mudamos o caixa de lugar e estamos sempre em homens aqui dentro trabalhando. Acho que isso acaba inibindo. Graças a deus acalmou. No entanto, aqui na rua, do lado de fora, são assaltos a pedestres e arrombamentos toda hora”, disse o dono do estabelecimento.

A Brigada Militar reconhece o problema. No entanto, a comandante do Policiamento da Capital em exercício, tenente-coronel Najara Santos da Silva, afirma que muitos criminosos têm sido identificados e presos com a Operação Avante, lançada este ano. Ela explica que alguns cuidados básicos são necessários e destaca a necessidade do registro de ocorrências.

“A operação faz abordagens em carros, pedestres, transporte coletivo e isso inibe, de certa forma, a ação de pessoas que se deslocam até essas áreas para cometer delitos. Claro que não foi a solução ainda, mas conseguimos reduzir bastante as ocorrências nessas regiões. É importante que eles se mantenham em um ponto onde tenham a visão de entrada, que tenham, se possível, câmeras com imagem boa e nós sempre reforçamos a necessidade do registro de ocorrência. O nosso planejamento é feito em cima desses registros”, explicou a tenente-coronel.

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