Polícia Civil tem dificuldade para abastecer viaturas

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Serviço público pode ser prejudicado - Paulo Rossi - DP
Serviço público pode ser prejudicado – Paulo Rossi – DP

Verba para combustível tira o sono da Civil

Repasse mensal de R$ 200,00 tem deixado viaturas paradas em algumas delegacias

Se a redução nas diárias e horas extras dos policiais civis e militares já tinha apertado o freio para os serviços de investigações criminais e patrulhamento ostensivo, agora, a verba repassada pelo governo do Estado destinada ao combustível de viaturas tem dificultado ainda mais a situação dos servidores da área da Segurança Pública que manobram para combater a criminalidade. O cenário atual é crítico.

Segundo agentes da Polícia Civil, mensalmente são repassados apenas R$ 200,00 – cerca de 50 litros – para cada veículo circular durante 30 dias. Resultado: no 15º dia do mês, viaturas paradas no pátio das delegacias. Os veículos chegam a ficar mais de dez dias estacionados já que o reabastecimento ocorre só no fim do mês.
Os policiais preferem não informar qual distrital ou especializada ficou com carros na garagem nos últimos meses. No entanto, garantem que, pelo menos, uma viatura para por falta de combustível.

Conforme um policial, o abastecimento é usado tanto para cidade como para viagens. “Tem policiais que fazem plantão em outros municípios e, por isso, precisam de uma viatura para se deslocar. A quantia repassada não dá vencimento. É muito pouco. É a desvalorização da Segurança Pública do Estado”, comentou um agente que prefere não se identificar. Segundo ele, a insuficiência de álcool, gasolina e diesel compromete o trabalho da PC. Principalmente nos casos de homicídios e roubos. “A gente não para. É preciso andar pela cidade para poder solucionar os casos”, finaliza.

O titular da Delgacia Regional, Márcio Steffens, afirma que a situação está normalizada. Segundo ele, as informações repassadas pelos policiais não conferem. Conforme o delegado, não há racionamento de combustíveis tampouco viaturas paradas. Steffens afirma ainda que a quantia repassada pelo governo do Estado para o abastecimento dos veículos é além de R$ 200,00. O delegado, porém, não soube informar quanto o governador Sartori destina às viaturas. “Os repasses são suficientes para manter as viaturas ativas”, comenta.

Na Brigada Militar (BM), o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel, Eduardo Perachi, garante que a corporação não sofre com a escassez de combustíveis. Segundo o oficial, no batalhão também não há viaturas estragadas. “Está tudo normalizado. Tudo em pleno funcionamento”, comentou.

No ano passado, o governador José Ivo Sartori anunciou redução de 40% nos combustíveis que abastecem viaturas da Polícia Civil, Brigada Militar, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e Instituto Geral de Perícias (IGP). A ação, segundo Sartori, é para equilibrar as dívidas do Estado. Na semana passada, o governador informou investimento de R$ 169 milhões para área da Segurança Pública. Entre eles, novas viaturas aos órgãos de segurança.