Soldado de 33 anos é 61º policial morto no RJ em 2016

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O soldado Carlos Mira foi baleado durante uma incursão no Morro do Bumba, em Niterói
O soldado Carlos Mira foi baleado durante uma incursão no Morro do Bumba, em Niterói

Agente foi baleado durante ação contra o tráfico de drogas no Complexo do Caramujo, em Niterói

UOL NOTÍCIAS

Um policial militar foi morto na manhã de sábado (16) durante operação no Complexo do Caramujo, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Com este caso, são 61 policiais mortos no Estado este ano. O soldado Carlos Eduardo dos Santos Mira, de 33 anos, foi baleado quando participava de ação de repressão ao tráfico de drogas na região. Segundo nota da Polícia Militar (PM), Mira foi levado para o Hospital Azevedo Lima, onde morreu.

O soldado estava há quatro anos na PM, fazia parte do Grupamento de Ações Táticas (GAT) e estava lotado no 12º Batalhão (Niterói). Policiais do 7º Batalhão (São Gonçalo) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) reforçaram o policiamento no Caramujo, mas não há informações sobre presos. O corpo do soldado será enterrado no início da tarde deste domingo no município de Itaboraí.

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Policiais militares no Complexo da Maré

PM do Rio raciona até combustível e projeto das UPPs parou

A crise financeira que atinge o Estado do Rio de Janeiro também tem afetado a Polícia Militar. As patrulhas da corporação circulam com combustível racionado, os helicópteros pararam por falta de manutenção e os policiais estão com salários atrasados. Projeto pioneiro de combate à violência em favelas, a polícia de pacificação deixou de se expandir. Tão cedo as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) não terão novos postos.

A Secretaria de Segurança do Estado sofreu um corte de 32% no orçamento deste ano –perdeu R$ 2,2 bilhões dos R$ 7 bilhões previstos. Simultaneamente à crise, crescem os índices de violência. Segundo o ISP (Instituto de Segurança Pública), ligado à secretaria, em maio foram registrados 368 homicídios dolosos, acréscimo de 21 vítimas em relação ao mesmo mês do ano passado (6,1% de aumento).

Os roubos de rua aumentaram 42,9% em relação a maio de 2015 (6.975 em 2015; 9.968 em 2016). Os roubos de veículo também cresceram: 33,2% (de 2.451, em maio de 2015, para 3.265 em maio último).

Sem legado

Para o antropólogo Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a crise financeira é agravante do aumento da violência. “A situação contribuiu para a piora do quadro, que já estava ruim. Se não há recursos para botar a estrutura necessária na Polícia Militar e para a Polícia Civil investigar, aumentam as oportunidades para os delitos. A possibilidade de a polícia ser ágil, de conduzir em flagrante um preso, é fundamental”, disse.

Storani acredita que a Olimpíada não deverá trazer nenhum legado para a segurança no Rio. “A sensação de segurança vai aumentar durante os Jogos Olímpicos, mas vejo com pessimismo o pós. Se investe em estrutura de consumo e, ao término, isso não existe mais”, afirmou. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.