“Vestia a farda com orgulho imenso”, lembram familiares de PM morto

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SDEThales Ferreira Floriano, 31 anos, não resistiu a um tiro na cabeça durante investida da polícia na Vila Chico Mendes, em Cidreira

Por: Bruna Scirea ZERO HORA

Foi com revolta e muita tristeza que moradores de Tramandaí, no Litoral Norte, receberam a notícia da morte de Thales Ferreira Floriano, 31 anos, soldado da Brigada Militar atingido por um tiro na cabeça durante uma operação policial na Vila Chico Mendes, em Cidreira, na madrugada deste sábado.

Natural de Tramandaí, Thales era formado em Educação Física e policial militar desde 2009. O soldado era filho de Roberto Floriano, atual secretário do Governo da Prefeitura de Tramandaí, e de Isabel Floriano, professora aposentada. O policial deixa ainda a irmã, Thaís, a esposa, Renata, e a filha, Clara, que completou três anos há uma semana.

Entre colegas de profissão, amigos e familiares, Thales será lembrado como um homem dedicado à carreira e atencioso com todos que convivia.

— Era um rapaz extremamente motivado com a profissão dele, sempre buscando crescer. É uma grande perda para a corporação e para toda a comunidade — afirma o Capitão Heraldo Leandro dos Santos, comandante da Brigada Militar de Tramandaí.

Para o colega e amigo Daniel Kirsch, 36 anos, também soldado da BM, Thales era “um pai muito dedicado à família”.

— Ele fazia de tudo para a filha e para toda a família. Era muito atencioso com os pais e também com a avó, a quem sempre dava tempo e carinho. Em 2009, ele me perguntou se valia a pena entrar na Brigada Militar. Eu disse que sim. E ele entrou. E conseguiu comprar um carro, uma casa e também estruturar a família. estava feliz por isso — lembra Kirsch.

De acordo com familiares, Thales vestia a farda com “orgulho imenso”. O soldado já havia recebido um reconhecimento de honra ao mérito por uma ocorrência em que, mesmo ferido, conseguiu deter um criminoso — ele teria sido atingido com golpes, que lhe causaram lesão no rim, mas resistiu à dor e prendeu um homem com porte ilegal de arma.

— Foi um menino que sempre nos deu muito orgulho. Era preocupado com a educação do sobrinho e sempre aconselhava os mais novos a estudar, a ter um bom caráter e a respeitar os pais. Sempre que conseguia uma folga visitava os avós. Na cidade todos estão comovidos, porque ele sempre fez amigos por onde passou — afirma Ana Cristina Rosa, tia do soldado.

Thales frequentava o Centro Tradicionalista Gaúcho (CTG) de Tramandaí durante parte de sua juventude. Para o empresário Rogério Ribeiro, 49 anos, que foi instrutor de dança do soldado no CTG, Thales era um “homem do bem”.

— Sempre foi um rapaz muito querido no meio tradicionalista do Litoral, que ficou bastante abalado com a notícia de sua morte. Thales tinha uma índole boa, era um pai de família e uma pessoa extremamente querida por todos — conta Ribeiro.

O velório do soldado ocorre desde as 18h deste sábado na capela da funerária Hoffmeister, em Tramandaí. O enterro está marcada para as 10h30min do domingo no Cemitério Municipal de Tramandaí.