Pioneiro: “Meu marido não reagiu, não fez nada”, diz mulher que viu PM ser baleado por ladrões em Caxias

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De acordo com a mulher, Thaís, o ataque que matou o PM não durou dois minutos
Foto: Adriano Duarte / Agencia RBS

Vilmar Dias Moreira morreu no Hospital Pompéia na tarde desta quinta-feira

Por: Pioneiro

É a frieza de um assassino e seu comparsa, que estão sendo caçados pela polícia, que causa ainda mais espanto no quarto latrocínio do ano em Caxias do Sul — e o segundo caso de um policial militar morto por ladrões em 2017.

Conselhos que especialistas em segurança costumam ressaltar para impedir tragédias durante assaltos não foram suficientes para preservar a vida do tenente da reserva da Brigada Militar (BM) Vilmar Dias Moreira, 50 anos. O PM não esboçou qualquer reação e obedeceu dois criminosos que o abordaram na frente de casa, na esquina da Rua Vitória Régia com a Rua Marselha, no bairro Bela Vista, na noite de quarta-feira. Mesmo assim, um dos assaltantes atirou duas vezes contra a cabeça de Moreira, que tombou na esquina de casa e morreu no Hospital Pompéia, na tarde desta quinta-feira.

O local do crime é formado apenas por moradias e tem baixo movimento de pedestres ou veículos, uma aparente tranquilidade que estava agradando Moreira e a mulher dele, Thaís Padilha, 39. O casal e dois filhos da mulher deixaram Porto Alegre na semana passada para residir no piso inferior de uma casa alugada, no Bela Vista.

O Sandero foi abandonado e queimado perto do local do assaltoFoto: Brigada Militar / Divulgação

Mesmo abalada, Thaís revelou detalhes do crime à reportagem. Segundo ela, o ataque não durou dois minutos. Moreira e Thaís haviam chegado em casa num Sandero pouco antes das 21h e estacionaram o carro em frente ao portão. Antes mesmo de o casal descer para abrir a garagem, um homem correu até o veículo e sacou um revólver, rendendo Thaís. Em seguida, ordenou que ela desembarcasse com as mãos na cabeça. A mulher obedeceu. Nesse momento, um segundo bandido aproximou-se e pegou o revólver do comparsa para render Moreira.

— Esse segundo homem mandou meu marido descer do carro com a mão na cabeça. Pediu se ele tinha alguma coisa, meu marido disse que não. Daí, ele revistou e achou a pistola que marido costumava usar na cintura — descreve Thaís.

Conforme a mulher, o ladrão mandou que o PM caminhasse alguns metros até o outro lado da rua. Ali, atirou a primeira vez com o revólver.

— Daí, ele disparou uma segunda uma vez. Saí gritando por socorro — relembra a mulher. Os ladrões embarcaram no Sandero e fugiram, levando também a pistola de Moreira.

— Não consigo entender porque atiraram. Meu marido não reagiu, não fez nada — desabafa Thaís.

O delegado responsável pela investigação, Mário Mombach, considera a hipótese de assalto mesmo com o fato de o PM ter sido baleado sem ter reagido, o que poderia caracterizar uma execução.

Foto: Adriano Duarte / Agencia RBS

— Tudo indica que essa é a real motivação, pois os criminosos levaram o carro e a arma — diz Mombach.

O Sandero foi abandonado e queimado perto do local do assalto, na Avenida Maurício Sirotsky Sobrinho, entre os bairros Bela Vista e o São Victor Cohab. Na tarde desta quinta-feira, policiais civis e militares percorreram a região em busca de suspeitos.

Natural de Santa Maria, Moreira morou durante muitos anos na Capital. Antes de ingressar na reserva da BM, ele atuava no 1º Batalhão de Polícia Militar (BM), também em Porto Alegre. Conforme a família, ele estava aposentado havia um ano. O casal pretendia viver em Caxias do Sul.