SC: Coronel chama bombeiros para resolver problema com barril de chope e causa indignação na corporação

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IMAGEM ILUSTRATIVA

Uma chamada para o 193, do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, está dando o que falar nas redes sociais, internamente na corporação e mobilizando até mesmo a Associação dos Praças (Aprasc). No último dia 9, às 11h58min, um morador da Lagoa da Conceição ligou para o Cobom (central de emergência dos bombeiros da Grande Florianópolis) solicitando atendimento na sua residência, porque um barril de chope havia explodido. Se identificando como coronel, pediu que fosse enviada uma guarnição até o local, porque havia outro barril e ele temia manusear o produto.

Do outro lado da linha, um cabo dos Bombeiros questionava a chamada, dizendo que isto não era função deles. Foi quando o solicitante pediu o contato de um oficial. O celular foi repassado, conforme áudio da gravação que circula nas redes sociais.

A coluna Visor já havia divulgado na edição do dia a 10 nota intitulada BOMBA, relatando somente o chamado e a causa, mas ainda sem maiores detalhes. O homem, identificado inicialmente como oficial da PM, é coronel da reserva do Exército.

Mas o caso acabou tomando outra dimensão. Minutos depois da ligação para o 193, o sargento que comandava o Cobom na oportunidade recebeu outro telefonema com ordem expressa de um oficial para que enviasse uma guarnição até o endereço e verificasse o quadro da explosão. O sargento chegou a ponderar que não era papel dos bombeiros fazer limpeza no local.

Nesta segunda-feira foi confirmado que o sargento foi transferido do Cobom para atuar novamente num batalhão da corporação.

O fato provocou indignação entre soldados bombeiros e até policiais militares, que compartilharam o áudio da chamada em inúmeras redes socais.

A direção da Associação dos Praças de SC também pretende reunir-se com o comando dos Bombeiros para entender as causas da transferência do sargento, alegando que ele estaria sendo punido por “tentar fazer a coisa certa”.

O comando dos Bombeiros abriu sindicância para apurar quem vazou o áudio da chamada da ocorrência. E informa que a decisão de mudar alguns militares do Cobom já era anterior ao episódio do barril de chope, com base em relatos de mau atendimento em outras ocorrências. “Nossa missão é prestar socorro imediato, sem questionar as causas. Claro que não iriamos mandar uma guarnição para limpar a sujeira do chope, mas não podemos nos negar a prestar ajuda em hipótese alguma, disse um oficial graduado da corporação.”

Com base em uma rápida pesquisa no google é possível constatar relatos de explosões de barris de chope que deixaram feridos e até causaram mortes no Brasil. O comando diz que não irá aceitar qualquer tipo de insubordinação, e que já teria identificado indícios de um princípio de motim, o que é inaceitável na carreira militar.

Confira o áudio da ocorrência e tire suas próprias conclusões:

 Rafael Martini

Diário Catarinense