BAND RS: Bombeiros sofrem com falta de efetivo e material na capital

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A preocupação são as construções antigas Divulgação/CBMRS

Risco de não conseguir conter um novo grande incêndio na Capital é iminente

Bibiana Garcez Band RS

“Foi horrível”, é assim que o Sargento José Carlos de Souza define o incêndio das Lojas Renner, em 1976. Ele trabalhou no que se considera uma das maiores, se não a maior, ocorrência de Porto Alegre. E se chamas voltassem a queimar no centro da capital, como seria? “A gente faz o trabalho de dois homens devido à falta de pessoal”, responde o Sargento Souza, que continua na ativa.

41 anos depois da ocorrência das Lojas Renner, o Corpo de Bombeiros teria poucos recursos para controlar uma situação similar. Na época, foram 104 homens atendendo a ocorrência. E hoje, menos de 40% desse número estaria em serviço. As dez guarnições da capital, e mais a Companhia de Busca e Salvamento totalizam 40 homens. De acordo com o Major Eduardo João Zaniol, do primeiro Comando Regional de Bombeiros, esse número poderia crescer com os funcionários que estariam de folga, além de bombeiros de outras cidades. Contudo, o número ainda é muito baixo. “Se formos considerar as normas internacionais de combate a incêndios, seríamos que ter 2,5 bombeiros a cada mil habitantes e isso para Porto Alegre dá cerca de 3 mil bombeiros. Trabalhamos com uma fração deste número”, afirma Zaniol.

A corporação convive não só com recursos humanos precários, mas também poucos e antigos equipamentos. A autoescada mecânica utilizada na época do incêndio, nos anos 70, tinha cerca de 20 a 25 metros. Hoje, a única de Porto Alegre, alcança 30 metros, mas é considerada obsoleta pelo coordenador da Associação dos Bombeiros do estado, Sargento Ubirajara Ramos. “É uma peça quase de museu”, afirma.

A saída para a deficiência em equipamentos seria provavelmente o deslocamento de material de outros municípios, assim como poderia acontecer com os servidores. No último grande incêndio de Porto Alegre, no que deixou cerca de dez por cento do Mercado Público queimado, a autoescada utilizada era de São Leopoldo. Apesar de útil, essa manobra deixaria a cidade desfalcada. E além disso: no Rio Grande Do Sul inteiro, são apenas 12 autoescadas operacionais.

Apesar de normas e fiscalização mais rígidas de prevenção contra incêndios e construções mais seguras, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, Melvis Barrios Junior, não exclui a possibilidade de ainda acontecer uma grande ocorrência na capital. “Muitos prédios antigos, é possível que ocorra um incêndio de grande magnitude”, ressalta.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, contudo, os incêndios estão acontecendo cada vez menos e com menor gravidade. Até a segunda semana de maio deste ano, foram 186 ocorrências.