GAÚCHA: Presos no Trovão Azul e delegacias tiram mais de 50 policiais das ruas

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Manhã registrou número recorde de 260 presos em delegacias de Pronto Atendimento da Região Metropolitana, no ônibus “Trovão-Azul” e no Centro de Triagem

O número recorde de 260 presos em delegacias de Pronto Atendimento da Região Metropolitana, no ônibus Trovão-Azul e no Centro de Triagem, em Porto Alegre, devido a falta de vagas no sistema prisional prejudica o efetivo da Brigada Militar que atua nas ruas da Região Metropolitana.

Na tarde desta quarta-feira (24), 37 policiais militares custodiavam 39 presos no Trovão Azul, no Hospital Cristo Redentor e no Hospital de Pronto Socorro. A regra, em geral, é de um policial por preso custodiado, segundo o comandante de Policiamento da Capital, coronel Jefferson Jacques.

Na Região Metropolitana, a média é de um policial para dois presos. No entanto, o número pode mudar aumentar, de acordo com o perfil dos presos. Em Canoas, Alvorada, Gravataí e Viamão, são 15 militares deslocados.

No Vale do Sinos, dois policiais faziam custódia de preso em Novo Hamburgo. Já em São Leopoldo, não havia alteração na rotina da Brigada.

A situação gera tensão e atrapalha também o trabalho de policiais civis. Segundo o delegado Fábio Motta Lopes, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, agentes da investigação são retirados dos seus inquéritos para cuidarem de presos.

“Preocupa muito o número, mas não tem muito o que fazer. Enquanto não houver vagas no sistema prisional, tenho que deixá-los presos”, comenta o diretor.

Delegacias lotadas

Pela manhã, a soma do ônibus com as três delegacias de Pronto Atendimento de Porto Alegre totalizava 81 presos somente em Porto Alegre. Outros 36 eram mantidos em Canoas, 28 em Novo Hamburgo, 17 em Gravataí, 17 em São Leopoldo, 11 em Viamão e 10 em Alvorada.

Além disso, o Centro de Triagem construído para amenizar a situação também chegou ao máximo da capacidade, com 60 presos.

Centros de triagem

A construção dos centros de triagens de presos é apontada pela Secretaria de Segurança Pública como uma alternativa para conter a elevação no número de presos. No final de 2016, foi anunciada a construção de 544 vagas até maio deste ano – prazo que não foi cumprido.

Dos cinco centros prometidos, apenas um está funcionando, mas sem a capacidade máxima. Os outros sequer têm previsão para início das obras.

Por meio da assessoria de imprensa, a SSP informou que trata a questão penitenciária com prioridade. Lembra, ainda, que tem feito investimentos em presídios, como na nova casa prisional em Canoas, com mais de duas mil vagas, que deve começar a ser ocupada em julho.

Fugas

De acordo com o comandante de Policiamento Metropolitano (CPM), coronel Altemir Silva de Lima, as delegacias não apresentam segurança necessária para abrigar presos por longos períodos, assim como presídios. Por isso, resulta em um número maior de policiais deslocados.

Mesmo assim, desde 2016, foram registradas 24 fugas de DPs, segundo o diretor regional, delegado Fábio Motta Lopes. Na semana passada, um preso fugiu pela porta da frente da delegacia de Gravataí. Houve grande mobilização policial na tentativa de recapturá-lo, mas o homem conseguiu fugir após invadir o pátio de uma creche e pular muros de casas. Ele ainda não foi encontrado.

JORNAL NH: Agentes estão apreensivos 

“Os policiais estão estressados, apreensivos e preocupados. Estamos trabalhando em desvio de função, acumulando com a atividade policial rotineira. Todos os dias entramos em contato para tentar resolver o problema e gerenciar a movimentação de presos, transporte, comida e cuidados com a higiene”, declarou o delegado plantonista de ontem, Marcos Mesquita Moreira. Ele acrescenta que a Polícia conta com a boa vontade de familiares dos presos, para levar comida. Quando isso não ocorre, a saída é pedir viandas ao presídio de Novo Hamburgo. “A gente faz o possível para contornar uma situação crítica e deixar o ambiente minimamente suportável.”

Confira a nota da secretaria

“A Secretaria da Segurança Pública reitera que o sistema penitenciário do Rio Grande do Sul é tratado como prioridade, sendo pauta recorrente da agenda do secretário Cezar Schirmer desde a sua posse. É importante registrar que, em dois anos, ampliou-se a população carcerária em quase seis mil detentos, em virtude do forte trabalho desenvolvido pelas forças policiais. Portanto, houve um acréscimo no número de pessoas sem a mesma equiparação ao número de vagas no sistema prisional.

Para revertermos este quadro, estamos colocando em ação as últimas medidas para a abertura do Complexo Penitenciário de Canoas, que proporcionará 2.415 novas vagas, e retomamos a obra da Penitenciária de Guaíba, com 672 vagas. A intenção é dar início à ocupação modular de Canoas dentro de alguns meses, com o ingresso de cerca de 200 detentos.

Estamos permutando a área da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) com o Grupo Zafarri, que nos permitirá construir novos presídios, num acréscimo de mil vagas. Em Bento Gonçalves, iremos permutar duas áreas do Estado também para a construção de uma nova penitenciária.

Além disso, o Governo Federal liberou R$ 44,7 milhões para o reaparelhamento do sistema penitenciário e construção de novas unidades prisionais. O anúncio deve ocorrer em breve, com o detalhamento das estruturas e sua localização.

Com relação aos recursos humanos da Susepe, lembramos que o concurso recentemente realizado permitirá abertura, de forma plena, do complexo de Canoas e da Penitenciária de Guaíba, assim que estiverem concluídas. Permitirá, também, ampliar o número de apresentação de presos à Justiça.”

GAÚCHA