IPE nega cirurgia a soldado da Brigada Militar

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Para conseguir os R$ 22 mil do procedimento foi aberta uma campanha de doação ao policial, que sofre de um câncer raro

Thays Ceretta Diário de Santa Maria

Como se não bastasse ter os salários parcelados pelo Estado, um funcionário público de Santa Maria agora sofre com outro problema, a falta de assistência médica.

O soldado do 2º Batalhão de Operação Especiais da Brigada Militar (2º BOE), Fernando Boufleur, 36 anos, começou a sentir dor no mês de janeiro, enquanto trabalhava na Operação Golfinho na cidade de Capão da Canoa. No Litoral Gaúcho, procurou o pronto-atendimento por três vezes, mas não foi medicado. Ao voltar para Santa Maria, as dores persistiram.

Depois de fazer vários exames, ele foi diagnosticado com um câncer raro, no peritônio (membrana que reveste a parte interna da cavidade abdominal, que recobre os órgãos como o estômago, intestino, baço, vesícula, rins). Há cerca de um mês, Fernando teve o diagnóstico da doença e da cirurgia para retirar o tumor.

Por ser funcionário público, ele tem plano de saúde do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPE). Por orientação dos médicos, encaminhou os exames e toda a documentação para o órgão em Porto Alegre, para que o plano de saúde cobrisse os gastos. Mas, o pedido foi indeferido.

– Quando eu recebi a notícia fiquei abalado, pelo nível da cirurgia e pelas complicações que ela pode acarretar. Vai mexer com todos os órgãos – conta o policial.

Em função da doença, Fernando, que é formado em Direito pelo Centro Universitário Franciscano (Unifra), precisou se afastar do trabalho na Brigada Militar. Ele já fez quatro das 12 sessões de quimioterapia. Porém, a doença está se espalhando e já afeta outros órgãos. No documento do IPE enviado ao paciente não está esclarecido o motivo do pedido ter sido negado.

– Fiquei totalmente decepcionado, praticamente a gente é obrigado a descontar todos os meses o convênio e, quando mais precisa, não tem respaldo. Sem contar com o parcelamento dos salários – desabafa o soldado.

A reportagem tentou contato com a assessoria e a direção do IPE na Capital, mas os telefonemas não foram atendidos. Um funcionário do instituto que atua em Santa Maria, e que preferiu não se identificar, disse por telefone que, provavelmente, o pedido foi negado porque o código da doença não deve constar na tabela dos procedimentos cobertos pelo plano.

O soldado diz que vai entrar na Justiça para pedir que o IPE custeie as despesas com a cirurgia e os demais procedimentos relacionados.

COMO VOCÊ PODE AJUDAR

Assim que ficaram sabendo da doença, os amigos e colegas de Fernando começaram a organizar uma campanha para arrecadar o dinheiro para cirurgia. O valor da equipe médica gira em torno dos R$ 22 mil. Além disso, estão previstos outros gastos, com exames, por exemplo, que ainda precisam ser contabilizados.

– Nós estamos mobilizados para tentar ajudar de todas as formas possíveis. O Boufleur, como nós o chamamos no trabalho, é um colega muito querido. Estamos organizando diversos eventos para arrecadar dinheiro – comenta a colega Andressa Poerschke. Conforme a esposa de Fernando, Danyelli Appel Boufleur, 29 anos, tem muita gente envolvida na campanha.

– Toda ajuda é bem-vinda, a solidariedade das pessoas está nos fortalecendo ainda mais neste momento difícil. Tenho certeza que a gente vai conseguir – afirma, esperançosa, a esposa do policial militar.

PARA AJUDAR

É possível depositar qualquer valor, no Banrisul:
Agência: 0369
Conta: 39.010986.0-3
Nome: Danyelli Guimarães Appel Boufleur