DIÁRIO DE CANOAS: Escola e empresários em queda de braço pela 2ªCIA BM

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Brigada Militar do Niterói pode ser transferida para área em frente à Praça Dona Mocinha

Contar com policiamento próximo, ágil, afasta a malandragem. Mas também dá um outro ânimo para os moradores, criando uma real sensação de segurança. É assim hoje nos arredores do Instituto Estadual de Educação Doutor Carlos Chagas, no bairro Niterói. Desde que a Rua Santa Cruz começou a contar com a 2ª Companhia da Brigada Militar, há cerca de 20 anos, as ocorrências diminuíram bastante. O comerciante Rudi Diersmann, 76, sente-se seguro para atender no mercadinho, sem o terror permanente de arriscar ter uma arma apontada para ele, situação experimentada em outros lugares sem a mesma cobertura. “Antes dos PMs já teve morte aqui, confusão”, recorda. “Nunca tive problemas aqui no mercado, graças a presença deles.”

Só que time que está ganhando também se mexe. Se é para melhor ou não, cabe ao leitor decidir. Empresários do entorno da Praça Dona Mocinha, na Rua Júlio de Castilhos, estão organizados e buscando apoio da Prefeitura para levar a 2ªCIA para mais perto deles. “A Praça Dona Mocinha precisa ficar mais protegida, os PMs poderão retirar dali quem não faz parte da sociedade”, destaca o vice-presidente do Sindilojas/Canoas, Itamar Tadeu Barbosa da Silva. A ideia é instalar os PMs em área da capatazia. “A região é um centro comercial forte, será um pólo, ajudaremos a construir a nova sede.” Além disso, como contrapartida, o empresariado cuidará dos canteiros e plantará flores e grama. “Ocorrem assaltos, tudo que, nós lojistas, perdemos faz diferença”, assevera Silva. “Que seja o mais rápido possível, a falta de segurança nos deixa abalados.”

Poder econômico

Um abaixo-assinado está passando de mão em mão para tentar frear a mudança de endereço da unidade da BM. Alguns moradores da Santa Cruz, no entanto, temem que o poder econômico dos empresários tenha mais força que qualquer outro argumento. Para o diretor da Carlos Chagas, a escola pública deveria ter prioridade. “Temos 1,5 mil estudantes, alguns estudam à noite, a iniciativa privada deveria ter condições de contratar segurança privada”, afirma Rolf Dieter Steyer. “Até alguns PMs já relataram que estrategicamente a atual sede é mais eficiente no tempo-resposta a ocorrências.” O morador aposentado Ênio Menezes, 60 destaca que o terreno atual foi cedido no passado pela própria escola. “É quase um quilômetro de distância, se tira a BM, voltarão os vândalos e o tráfico”, alerta. “Temos creche na rua, os empresários já tem as câmeras e a Guarda Municipal, não queremos uma nova cracolândia.” A vizinhança, de acordo com Menezes, vai ficar pé, mas uma contrapartida de segurança para a Rua Santa Cruz (com câmeras de vigilância) poderia ajudar no impasse.

Sem prejuízo de segurança para a região

De acordo com o comandante do 15º BPM, tenente-coronel Valdeci Antunes dos Santos, não há nada concreto ainda, apenas tratativas. “O interesse da Brigada é oferecer as melhores condições de trabalho aos policiais”, destaca. “Há atual sede da 2ªCia tem problemas estruturais, o espaço é muito pequeno.” Segundo o oficial, não haveria prejuízo de segurança para a região. “Escolas sem CIA perto também recebem patrulhamento”, enfatiza. “Um ambiente agradável para o policial motiva ajuda no desempenho profissional.”

Município cedeu área para sede

A área localizada em frente à Praça Dona Mocinha, onde atualmente funciona a capatazia da subprefeitura, será cedida pelo Município à Brigada Militar. A corporação já entregou à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação o projeto de construção da sede da 2ª Companhia. O Município agora busca recursos para a construção do prédio, que é uma reivindicação antiga da comunidade do Niterói e que ficará próximo da 2ª Delegacia da Polícia Civil.