MS: Pistoleiro disse à Justiça que receberia R$ 20 mil se matasse oficial da PM

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Em depoimento à Justiça, Robson William da Silva Medina, 26 anos, que supostamente teria sido contratado para matar Itamara Romeiro Nogueira, 40 anos, contou detalhes sobre como executaria o plano, caso não tivesse desistido da ideia e confessado tudo a mãe da vítima.

Conforme processo referente ao caso,  o suposto pistoleiro disse à polícia que no fim do ano passado conheceu um homem identificado apenas como “Leo”, em uma fazenda no Paraguai, onde ele estava trabalhando.

Esta fazenda seria de outro homem, identificado como “Marquito”, e os dois teriam dito a Robson que precisavam de alguém para executar uma oficial da Polícia Militar. Robson, então, disse que aceitou o “serviço”, porque “queria salvar a vítima”, denunciando a ação.

O suposto pistoleiro confessou ainda que após aceitar praticar o crime, se encontrou por quatro vezes com Glória Lucia Lopes Nogueira, 46 anos, e Ângela Lucimar Lopes Nogueira, 41 anos, irmãs de Valdeni Lopes Nogueira, 45 anos, morto por Itamara em julho do ano passado.

O primeiro encontro foi em um bar, onde Robson disse que recebeu a quantia de R$ 2,5 mil. Os outros três foram no cemitério da cidade, quando recebeu outras três parcelas no mesmo valor, totalizando R$ 10 mil, porém, o combinado era de que receberia R$ 20 mil pelo serviço.

Durante estes encontros, Robson disse que recebeu das mulheres a foto e o endereço de Itamara e que a ordem, que a princípio era para matar apenas a oficial, mudou nos últimos encontros. As mulheres teriam ordenado a execução da família toda da policial.

Em depoimento, Robson também reforçou à polícia que não tinha intenção de matar a policial. Tanto, que nem havia comprado arma, apesar de ter ordem para matá-la a tiros ou com o uso de explosivos.

O Campo Grande News tentou contato com Glória Lucia Lopes Nogueira e Ângela Lucimar Lopes Nogueira, mas elas não foram localizada. Por telefone, o irmão delas, Valdeci Alves Nogueira, 50 anos, voltou a dizer que as acusações são infundadas e não passam de uma manobra de ex-cunhada.

“Eu não sei de onde ela tirou isso. O próprio juiz não viu nexo nenhum em tudo que foi colocado. Na verdade, o que ela quer é desviar a atenção do crime que cometeu. Isso é armação”, disse.

Trecho de processo em que é citado o valor do serviço. (Foto: Reprodução)
Trecho de processo em que é citado o valor do “serviço”. (Foto: Reprodução)

Confissão e absolvição – No dia 10 de fevereiro deste ano, Robson teria surpreendido a mãe de Itamara, na casa em que ela mora, no bairro Coophatrabalho. Na ocasião, ele disse à ela que a família dela corria risco de morte, pois havia sido contratado “como pistoleiro” em um fazenda, para matar três mulheres, sendo elas Itamara, a mãe dela, e a filha do casal.

No dia do ocorrido, ao ser questionado sobre o motivo do alerta sobre os assassinatos, Robson alegou que havia desistido da ideia. Contudo, precisava de dinheiro.

Após a ameaça, a família acionou a Polícia Militar, que prendeu o rapaz em flagrante. Ele foi autuado por extorsão e homicídio qualificado na forma tentada. Na delegacia, Robson afirmou que as execuções haviam sido encomendadas pelas ex-cunhadas da PM para vingar a morte de Valdeni, irmão das mandantes.

Como prova de que havia sido contratado, o rapaz mostrou fotos das três vítimas. O suposto pistoleiro ficou quatro meses detido no Presídio de Trânsito e foi solto no dia 3 de junho, após ter sido julgado e inocentado pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal.

“Fato é que não há como condená-lo, vez que as provas não demonstram com certeza sua participação na empreitada criminosa”, justificou o magistrado a sua decisão.

Campo Grande News