SUL21: ‘Até os criminosos estão mais preocupados com a vida dos gaúchos que o Sartori’

Luís Eduardo Gomes

Representantes de sindicatos que compõem o Bloco da Segurança se reuniram nesta sexta-feira (30) com a vice-presidente do Tribunal de Justiça, a desembargadora Maria Isabel de Azevedo Souza, para cobrar do Judiciário o cumprimento de uma decisão do próprio TJ que obriga o Estado a pagar o salário dos servidores da área em dia. Nesta quinta-feira (29), o governo voltou a anunciar o parcelamento dos salários relativos ao mês de setembro, com a primeira parcela equivalente a R$ 810 e a promessa de integralização dos vencimentos apenas no dia 14 de outubro.

Segundo Alexandre Bobadra, diretor jurídico do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do RS (Amapergs), o objetivo da entrega do documento é pressionar o TJ a fazer cumprir as decisões judicias que ordenam o fim do parcelamento de salários pelo Executivo estadual. Além do documento, representantes da Polícia Civil, Brigada Militar, Susepe, IGP e Corpo de Bombeiros apresentaram uma petição para exigir o cumprimento da decisão anterior.

30/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Servidores da segurança protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Foto: Maia Rubim/Sul21
Alexandre Bobadra, do Amapergs-Sindicato | Foto: Maia Rubim/Sul21

“Nós temos uma decisão desde o ano passado que manda pagar em dia os servidores da segurança pública. Por duas vezes, pedimos o sequestro de valores e o governo do Estado não cumpriu, então nós estamos trazendo agora jurisprudência, materialidade e muitos elementos. É o último documento antes do pedido de abertura de impeachment contra o governador José Ivo Sartori. Decisão judicial se cumpre”, afirma Alexandre. “Esperamos que o governo se sensibilize e, nessa última oportunidade, o governador cumpra a decisão judicial. Nós sabemos que dinheiro tem sim. O Estado aumentou a arrecadação nos últimos tempos. Está investindo, por exemplo, R$ 30 milhões em publicidade e, na segurança pública, não está investindo”, complementou.

Para Leonel Lucas, presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), entidade que representa os servidores de nível médio da Brigada Militar (BM), a culpa do parcelamento dos salários já pode ser atribuída ao Judiciário. “Nós acreditamos que agora o culpado por esse parcelamento é o Tribunal de Justiça, porque não faz cumprir uma própria ordem deles que deu ação em favor da categoria. Já que o governador e o TJ agora estão descumprindo (a decisão judicial), o nosso maior temor é que não tenha mais lei no RS. Nós não temos mais a quem recorrer. É nosso último pedido”, afirmou.

30/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Servidores da segurança protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Foto: Maia Rubim/Sul21

Leonel Lucas, da Abamf | Foto: Maia Rubim/Sul21

Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do RS (Ugeirm), pondera ainda que o governo do Estado vem constantemente descumprindo decisões judiciais, não apenas referentes ao parcelamento de salários. “Ele não cumpre as decisões judiciais de não parcelar o salário, não cumpre as decisões de não ter preso em delegacias, não quer nem receber as intimações da Justiça. Nós precisamos ter um fim para isso, ter algo mais plausível do TJ. Ou existe lei para todos nesse estado, ou não existe. Se não for para cumprir a lei, pode haver uma desobediência civil no Estado”, afirma.

Manifesto dos criminosos

Os representantes do Bloco também comentaram um manifesto que circula desde o início da semana em penitenciárias gaúchas em que presos defendem a necessidade de se controlar a violência extrema que está sendo praticada na guerra entre as facções criminosas do Estado.

30/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Servidores da segurança protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Foto: Maia Rubim/Sul21

Isaac Ortiz, do Ugeirm | Foto: Maia Rubim/Sul21

“Nós estamos falando desde o início que, se o governo não retirar esse decreto de congelamento de gastos, o Estado vai afundar, tanto na área da saúde, educação e segurança pública. Estamos falando desde o início dessa guerra que não é possível se matar crianças e mulheres e agora parece até que os bandidos estão resolvendo isso aí, porque, se nós formos esperar o governador do Estado, ele não vai mover uma palha”, afirma Ortiz. “Temos hoje um governo inerte que não tem nenhuma responsabilidade sobre a vida dos gaúchos. Até os criminosos estão mais preocupados com a vida dos gaúchos do que ele, porque em uma das frases do manifesto eles dizem que devem respeito à população. Isso é chocante”, complementa.

Para Lucas, da Abamf, o manifesto mostra a organização das facções criminosas. Ele alerta que uma eventual união delas poderia ser ainda mais prejudicial para o Estado. “Quando todas essas facções que existem hoje no RS se unirem, aí realmente o RS vai ver o caos”, diz.

Bobadra, que trabalha na Susepe e, portanto, diretamente com os presos, avalia que o manifesto é “um grito de socorro dos próprios presos”. “Nós temos quase 35 mil pessoas que cumprem pena no RS e um déficit de 10 mil vagas em 104 casas prisionais. Nós precisamos, no mínimo, mais 3 mil vagas para suprir o déficit atual e a contratação de outros 700 servidores para retomar o Presídio Central e Charqueadas”, afirma.

Documento entregue pelo Bloco de Segurança ao TJ | Foto: Luís Eduardo Gomes/Sul21

Documento entregue pelo Bloco de Segurança ao TJ | Foto: Luís Eduardo Gomes/Sul21

30/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Servidores da segurança protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Foto: Maia Rubim/Sul21

Foto: Maia Rubim/Sul21

30/09/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Servidores da segurança protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Foto: Maia Rubim/Sul21

Foto: Maia Rubim/Sul21

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