G1: ‘Melhor preso na viatura que solto’, diz secretário de Segurança do RS

Governo espera entregar primeiro centro de triagem de presos em 6 meses.
Déficit é de 11 mil vagas em cadeias no estado, segundo a secretaria.

Do G1 RS

O governo do Rio Grande do Sul quer entregar o primeiro centro de triagem de presos em seis meses. O local vai funcionar próximo ao Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) em Porto Alegre. A ideia é que detentos não fiquem mais aguardando dentro de viaturas em frente a delegacias, situação provocada pela falta de vagas nos presídios, e também pelo acúmulo de detentos em celas de delegacias.

Schirmer pede voto de confiança ao assumir a secretaria de Segurança Pública (Foto: Luiz Chaves/Palácio)
Schirmer aposta em centros de triagem para resolver o problema (Foto: Luiz Chaves/Palácio)

O secretário de Segurança Pública do estado, Cezar Schirmer, entende que os centros de triagem são “soluções definitivas”. “Não queremos mais presos nas viaturas, não queremos isso e é uma decisão. Agora, eu repito: é melhor um preso na viatura por 10 horas, 12 horas, às vezes até por um tempo a mais, do que solto na rua ameaçando e cometendo crimes contra a população”, diz.

O outro centro vai funcionar em Charqueadas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ainda sem previsão para a conclusão das obras. Ao todo, serão investidos R$ 6 milhões para os dois locais, que vão abrigar 258 presos provisórios.

Faltam 11 mil vagas em cadeias, diz SSP
Nos últimos 20 meses, foram recolhidos nos presídios gaúchos mais de 5,5 mil presos, mas o número de vagas se manteve o mesmo. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) estima que faltam 11 mil vagas no sistema penitenciário. Por dia, segundo o órgão, são presos em média 100 suspeitos na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Um levantamento do poder judiciário mostra que, para dar conta da demanda, o estado deveria ter  construído dez novos presídios com 550 vagas cada.

O juiz da Vara de Execuções Criminais, Sidinei Brzuska, observa que o crime organizado percebeu a situação e passou a considerar os presídios como um local de investimento.

“Um lugar de ganhar dinheiro (…) Quando você fala em um novo presídio ou qualquer vaga todas as facções já ficam de olho porque querem aquele espaço ali, porque aquele espaço passa a ser um local de recrutamento de mão de obra para o crime. As pessoas passam a ganhar dinheiro com isso”, analisa.

A falta de vagas também tem repercutido nas decisões no poder judiciário. Em 2010, os juízes condenaram mais de 2 mil presos a cumprir prisão domiciliar. Dois anos depois, liberaram tornozeleiras eletrônicas para presos do semiaberto que, por causa da falta de vagas, eram mantidos no regime fechado.

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