Brigada Militar diz que policiamento é suficiente na Cidade Baixa: “Não há crise no bairro”

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ZHGComandante do 9º BPM garante que crime mais característico no local é perturbação do sossego alheio

Brigada Militar diz que policiamento é suficiente na Cidade Baixa: "Não há crise no bairro" Arte/ZH

Foto: Arte / ZH

O bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, amanheceu com as marcas da violência nesta sexta-feira. Na esquina da Rua Lima e Silva com a Avenida Venâncio Aires, um tiroteio às 5h em frente à casa noturna Estação 910 deixou sete feridos e uma janela estilhaçada. Perto dali, às 7h, uma mulher foi assaltada (veja o vídeo abaixo nesta reportagem) enquanto saía de casa para trabalhar na Travessa Comendador Batista e teve a bolsa e o celular levados por um homem armado, que agiu tranquilamente.

Somados a episódios recorrentes de violência, os casos desta quinta-feira aumentam a sensação de insegurança no local mais boêmio da cidade e deixam um questionamento: o que está ocorrendo com a Cidade Baixa? Para comerciantes, moradores e frequentadores do local, a insegurança está além do sentimento. É realidade. Já para a Brigada Militar, “não há crise”.

— O crime mais característico aqui é a perturbação do sossego alheio. Com isso, furtos e coisas nesse sentido acabam acompanhando. Os percentuais, comparados aos do restante da Capital, estão dentro dos parâmetros — argumenta o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Marcus Vinicius Oliveira.

A Brigada, porém, não divulgou as estatísticas do bairro. Para quem vive o dia a dia da Cidade Baixa, é preciso estar preparado para tudo. O funcionário de um estacionamento ao lado da Estação 910, por exemplo, foi agredido na madrugada do dia 16 de janeiro por taxistas. Segundo o homem, que não quer se identificar, a confusão ocorreu por um motivo banal. Um táxi parou em frente à garagem e se negou a sair. O bate-boca transformou-se em pancadaria minutos depois.

— Tá virado nisso aí. Droga, prostituição, bagunça, ninguém quer saber de nada. Não tem segurança — afirma ele.

O empresário Pedro Cavaleri, dono de um café na Avenida Venâncio Aires, conta que escuta a toda hora as pessoas se lamentando:

— Alguém precisa tomar uma providência, a cada ano que passa é pior. A gente trabalha, mas não sabe o que vai acontecer.

Moradores se organizam para evitar problemas

De acordo com o comandante do 9º BPM, o número de policiais trabalhando em tempo integral na Cidade Baixa “é suficiente para o que temos disponível neste momento”. Ele não revela quantos são. A principal queixa do tenente é com a Justiça:

— O problema não é a polícia. As pessoas são vitimizadas pela falha do sistema de segurança, que solta os bandidos.

Aos poucos, os moradores adotam pequenas práticas para se defenderem da onda de violência. Alguns já falam em contratar seguranças particulares para algumas ruas, como explica Hermógenes de Oliveira Júnior, presidente da associação comunitária da Cidade Baixa:

— Principalmente nos fins de semana, é roubo de carro, assaltos nas portas das casas, tentativas de estupro. Há uma ideia se formando de colocar pessoas nas ruas para nos defenderemos. Não é que tenhamos largado de mão a polícia, é que eles não têm material humano.

O proprietário da Estação 910, a casa noturna que virou notícia pelo tiroteio nesta sexta-feira, faz parte de um grupo de moradores no Whatsapp e acompanha em tempo real todos os problemas que ocorrem. A solução para Antonio Marcos Longoni, por enquanto, é mover efetivos de outras áreas para o local à noite:

— É o cartão de visitas de Porto Alegre. É onde as pessoas saem, se divertem. A Cidade Baixa requer mais cuidados, necessita de mais atenção.

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