OSCAR BESSI: Esta guerra é de todos

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A operação tenta garantir a segurança, especialmente em áreas onde recentemente ocorreram conflitos entre grupos rivais, como nas vilas Bom Jesus e Grande Cruzeiro.
IMAGEM ILUSTRATIVA – A operação tenta garantir a segurança, especialmente em áreas onde recentemente ocorreram conflitos entre grupos rivais, como nas vilas Bom Jesus e Grande Cruzeiro.

POR OSCAR BESSI

A s mortes de inocentes na “Guerra de Porto Alegre” chocam a nossa assustada população. Mas há quem pareça não ver coisa alguma. E ignore, solenemente, o drama. O cheiro de sangue, pólvora e medo não chegou ao seu Olimpo. Ah! É ano eleitoral. Mais valem os contratos, acordos e conchavos para seguir ou tomar o poder do que as dores do povo. Gostei do que disse o novo presidente da OAB, Cláudio Lamachia, em seus discurso de posse. A cidadania brasileira vive sob a mendicância de direitos e se esquece que, na verdade, o povo é o único e verdadeiro patrão das instituições. Executivo, Legislativo e Judiciário. Empregados nossos, com os salários pagos por nós. Como podem nos virar a cara quando o drama impera? Olha, não fosse a ação judicial que derrubou o aumento, abusivo sim, na passagem do transporte coletivo da capital gaúcha, era de se jogar a toalha. A Polícia faz a sua parte. Mesmo que esgualepada pelos maustratos a que vem sendo submetida nos últimos tempos. As forças de segurança pública são o Exército Farrapo da modernidade. Não se entregam na peleia, mesmo sob condições adversas. Pois a Brigada Militar está com a Operação Avante, a Polícia Civil desentoca criminosos e depósitos de armas até em creche. Mas a ousadia continua. Os bandidos gravam funks e pagodes sádicos em que idolatram a violência, debocham da população, anunciam mais mortes. Por que a ironia? Por que dão risada? A resposta está ali no primeiro parágrafo desta coluna. Enquanto uns e outros não colocarem na cabeça que esta guerra é de todos, de uma sociedade, do povo enquanto coletivo e que está em jogo a civilidade e a cidadania, bandidos darão risadas. E os oportunistas de plantão lucram sobre a nossa desgraça, como sempre. Se esta guerra de traficantes zomba da lei e da cidadania, não dá mais para ficar com cara de paisagem. Sim, é nossa, cada um precisa fazer a sua parte. Governos, mexam-se! É o caos, não estão vendo? Quantos ainda precisam morrer? Parem de fazer pose e tapar o sol com a peneira, de camuflar a verdade, estendam já a mão para quem lhes paga! Legislativo, vão ficar nessa de “estudar” melhoras nesta bagunça legal até quando? Judiciário, abrace esta luta! Não adianta polícia nas ruas se os tribunais não se engajarem na busca positiva de um fim ao medo. Há comunidades inteiras, compostas em sua maioria por operários muito mal pagos e estudantes vivendo sob a ditadura da ameaça. Eles merecem mais respeito. Merecem não ter que desistir. Eles merecem pelo menos um mínimo de esperança!

CORREIO DO POVO