Falta de efetivo e crise estão forçando o fechamento de quartéis do Corpo de Bombeiros em Caxias

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Desde quinta-feira passada, quando foi avisada por um dos bombeiros que o quartel do bairro Desvio Rizzo seria fechado por alguns dias, Leni Bissani lacrou as portas do bar na Rua Celestino Deitos Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
Desde quinta-feira passada, quando foi avisada por um dos bombeiros que o quartel do bairro Desvio Rizzo seria fechado por alguns dias, Leni Bissani lacrou as portas do bar na Rua Celestino Deitos
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Entre sexta-feira e terça, somente a unidade do Centro e a unidade instalada junto ao Aeroporto funcionavam normalmente

 A histórica falta de efetivo e a crise econômica que assola o governo do Estado estão forçando o fechamento de quartéis do Corpo de Bombeiros em Caxias do Sul. A corporação tem cinco unidades distribuídas pela cidade para garantir mais agilidade no atendimento de ocorrências. Mas entre sexta-feira e a manhã de terça, somente a unidade do Centro, onde fica  a sede do comando, e a unidade instalada junto ao Aeroporto funcionavam normalmente.

Os quartéis do bairro Desvio Rizzo e do Cruzeiro só retomaram as atividades ontem à tarde, depois quatro dias fechados por falta de servidores. A unidade da Zona Norte, responsável por uma região onde moram 90 mil pessoas, teve os trabalhos suspensos há mais de 30 dias pelo mesmo problema e não tem previsão de reabrir. Apesar disso, o comando garante que não houve prejuízo à população ou demora excessiva no atendimento de ocorrências.

O fechamento das unidades em Caxias é influenciado pelo efetivo reduzido em cidades vizinhas. Com poucos soldados para combater incêndios e outras ocorrências, Vacaria, Farroupilha e Flores da Cunha corriam o risco de fechar as portas entre os dias 26 e 29 de fevereiro. Para que as cidades não ficassem desassistidas, bombeiros de Caxias foram transferidos temporariamente para socorrer esses locais. Resultado: os quartéis nos bairros caxienses não prestaram atendimento.

Uma alternativa seria pagar horas extras aos servidores de folga e que poderiam assumir o plantão.  Contudo, o Estado impôs um limite para esse gasto, que foi usado antes do final do mês. Por esse motivo, centralizar o serviço de emergência no batalhão central da corporação (na Rua 20 de Setembro) foi considerada a melhor solução para manter o atendimento em Caxias, segundo o comandante interino do 5º Comando Regional de Bombeiros (5° CRB).

— Nessa manobra operacional, tivemos que pulverizar o nosso efetivo entre as cidades, mas não há motivo para a população ficar preocupada. Claro que o ideal seria que todos as unidades funcionassem sempre. Com esse problema, nós ampliamos o nosso raio de abrangência e a nossa ideia desde o início é de que ninguém fique sem assistência — esclarece o major Ederson de Albuquerque Cunha.

Os quartéis de Caxias (com exceção da Zona Norte) voltaram a funcionar após o meio-dia de ontem com o retorno dos servidores que haviam sido cedidos para outras cidades. O fechamento temporário, porém, pode voltar a ocorrer no final do mês, pois não há previsão para a liberação de mais horas extras ou contratação de servidores.

A Associação de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs) critica a contenção de despesas por parte do Estado, o que afeta a população.

— O decreto lançado em janeiro do ano passado pelo governo do Estado, que visa a contenção de despesas, só agravou a situação que já era problemática em função do número baixo de bombeiros. Com a falta de efetivo, o fechamento de quartéis vai ocorrer. E isso, infelizmente, não é realidade em pontos isolados. São poucas as cidades que não estão sofrendo — afirma o coordenador-adjunto Abergs, Florisbelo Dutra.

A volta de bombeiros que foram deslocados para atuar na Operação Golfinho, que encerra nesta quarta, também pode amenizar a situação em Caxias do Sul, mas não resolverá o problema.

— O Estado conta com 2,4 mil bombeiros, que trabalham 40 horas semanais. Com as horas-extras não sendo repassadas pelo Governo, não há como pensar em uma melhoria na área. Quem sofre é a população.

PIONEIRO