Patrulha intermunicipal deve ser a solução

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Reposição inexistente compromete ainda mais a situação do efetivo em todo o RS
Reposição inexistente compromete ainda mais a situação do efetivo em todo o RS

Os reflexos da crise financeira no Estado dão ares de que não terão um fim tão cedo. Paralelo à perspectiva negativa, está o sucateamento do serviço público em todas as instituições. Na segurança, não é diferente. O déficit de material humano, que se aproxima dos 50%, reduz drasticamente a possibilidade de atuação ostensiva e preventiva. A região do 29º Batalhão da Polícia Militar, já apresenta os furos deixados pela falta de material humano, com cidades que veem sua segurança definhar.

Ainda no final da semana passada, o já deficitário efetivo da Brigada Militar sofreu um desfalque de quase 200 PMs temporários, que tiveram seus contratos vencidos e não-renovados pelo governo do Estado. Homens das ruas foram retirados para ocupar o espaço deixado nas guardas externas dos presídios, deixando uma lacuna ainda maior no trabalho de patrulhamento da Brigada Militar. “Se não entrarem os aprovados no concurso de 2014, teremos que fazer patrulhas intermunicipais. Teremos sérias dificuldades para atender as demandas do 190. Eu não falo nem do policiamento preventivo. Os recursos humanos são nosso maior tesouro. Sem recursos humanos, não prestaremos o serviço de qualidade. Se cada vez mais diminuem os recursos, cada vez mais diminui nossa qualidade”, lamentou o capitão Gilmar Bischoff, responsável pelo policiamento ostensivo do 29º Batalhão da Polícia Militar de Ijuí.

Hoje, a região de abrangência do 29º BPM já gestiona de maneira desfalcada. Dos sete municípios que compõem o comando local, dois deles têm suas atividades policiais divididas. Segundo o capitão, uma patrulha intermunicipal se divide entre os municípios de Ajuricaba e Nova Ramada. “Hoje nós temos essa patrulha intermunicipal. A guarnição faz o policiamento em uma cidade, e de tempo em tempo eles vão até a outra cidade. Por ora, os outros ainda estão com policiamento 24h”, acrescentou e ainda fez um alerta: “Temos alguns municípios como Augusto Pestana e Joia que têm dois PMs na cidade por turno de serviço. Caso não venham as nomeações, o caminho deverá ser as patrulhas intermunicipais. Juntaremos pequenos polos e criaremos patrulhas para fazer o policiamento em três cidades”.

Outra consequência da míngua no efetivo está nos trabalhos extras da Brigada Militar. Políticas Públicas recentemente implatadas, como a Patrulha Maria da Penha, está com o serviço comprometido. Há ainda a necessidade do acréscimo de 12 novos homens para operacionalizar a central de videomonitoramento, prevista para o final do 1º semestre. Para elucidar a situação, o capitão explicou a partir do clamor popular pelos policiais do setor administrativo. “Já foi feito. Não tem mais o que tirar. O que deu para encolher do administrativo já encolhemos no final do ano passado. Chegou no limite com essa situação de remanejar os policiais que foram substituir os policiais temporários. Agora não tem mais. Deixamos de exercer alguns serviços para a comunidade”, acrescentou.

Antes de finalizar, o capitão  revelou que o comando não recebeu nenhum comunicado a respeito da reposição dos PMs que saíram após o vencimento do contrato. “A Brigada Militar não recebeu nada formal da nomeação dos 168 servidores. Precisamos disso e nem mesmo sabemos se eles vão vir para Ijuí”.

amuplam

JORNAL DA MANHÃ