Diário Popular: Das oito guaritas da Presídio Regional de Pelotas apenas duas têm PMs

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O DP circulou pelo entorno do PRP e apenas uma guarita contava com a presença de policial. O comando do 4º BPM nega o fato (Foto: Paulo Rossi – DP)

Guaritas vazias no Presídio de Pelotas

Apenas duas estão ocupadas por policiais da BM incumbidos de vigiar mais de mil presos

Por: Giulliane Viêgas

Seis meses após criminosos de uma das organizações que disputam o domínio do tráfico de drogas em Pelotas fugirem em um episódio cinematográfico, em que um caminhão em marcha a ré derrubou parte do muro lateral da penitenciária, as guaritas que contornam o Presídio Regional de Pelotas (PRP) continuam vazias, sem policiais. O inquérito aberto pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) que apura a debandada dos seis presos ainda não foi concluído.

Na última sexta-feira, a equipe de reportagem do Diário Popular (DP) circulou pelo perímetro do PRP e o que se viu foi um policial para as oito cabines da Brigada Militar. Não havia militares, inclusive, na parte em que o muro foi derrubado. Segundo servidores da Superintendência dos Serviços Penitenciários que atuam no Presídio, ao total, são apenas duas guaritas ocupadas pela BM para vigiar mais de mil presos.

Vizinha da penitenciária há mais de 20 anos, *Maria – que por medo prefere não ser identificada – conta que “às vezes” vê PMs circulando pelo local. Momento considerado raro por ela. “Quando eu vejo, até chamo meu marido para ver também. São no máximo três, há tempo não vejo mais que isso”, revelou. Apesar das execuções praticadas no entorno do Presídio e da fuga dos criminosos, *Maria considera a região tranquila. “Acho que isso foram casos isolados. Eu acho muito bom morar aqui”, disse.

Embora o Diário Popular tenha circulado pelo entorno do Presídio de Pelotas e avistado apenas um policial para as oito guaritas, o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Eduardo Perachi, garante que há mais militares no local. O oficial reconhece que nem todas as guaritas contam com a presença da Brigada Militar, mas garante que a polícia está realizando seu trabalho. “Não posso falar em números, porque isso faz parte do plano de segurança. O que eu posso dizer é que eles estão em pontos estratégicos”, garantiu.

O administrador da penitenciária, Hamilton Fernandes, reconhece o déficit de policiais. Entretanto, informou que a guarda externa da penitenciária é responsabilidade da Brigada Militar. “Sou responsável pela segurança interna. A falta de efetivo não é novidade. Assim como falta na BM, faltam agentes penitenciários também”, comentou o diretor que deve se reunir nos próximos dias com o comando do 4º BPM e a chefia de segurança do PRP para levantar a possibilidade de reforço no efetivo do Presídio Regional de Pelotas.

Mais de mil presos
Do início da década de 1990 até dezembro de 2016, a população carcerária do Presídio Regional de Pelotas (PRP) cresceu – acredite – 657%. Em 1991, a casa de detenção abrigava 132 presos. Vinte e cinco anos depois, mais de mil homens e mulheres cumprem pena no local. A infraestrutura do Presídio, no entanto, se manteve a mesma: capacidade para 382 detentos, segundo dados da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).