Para Polícia, tiroteio em Gravataí foi mais um confronto entre facções no RS

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Rua onde ocorreu a festa e o tiroteio

Ao menos duas pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas

Rádio Guaíba

O tiroteio que deixou dois mortos e mais de 30 feridos em um baile funk em Gravataí, na Região Metropolitana, pode ter sido mais um episódio da guerra entre facções que assola o Rio Grande do Sul. “Percebemos que houve um confronto possivelmente entre facções ligadas ao tráfico”, revela o delegado Fábio Borba, responsável pelas investigações. A Polícia ainda apura a motivação do crime.

Segundo Borba, um levantamento oficial com o total de feridos ainda está sendo finalizado. “São mais de 30 feridos, mas acredito que o número pode ser ainda maior, já que muitos não foram encaminhados a hospitais”, explica o delegado. As vítimas estão sendo atendidas em hospitais de toda a grande Porto Alegre: há feridos no Hospital Dom João Becker e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Gravataí, no Hospital Padre Jeremias e na UPA de Cachoeirinha, no Hospital de Pronto Socorro e no Cristo Redentor em Porto Alegre e no Hospital de Viamão.

A Polícia Civil percorre todas as unidades de saúde para conversar com as vítimas e levantar informações. Uma equipe também está no bar onde ocorreu o crime, na rua Eurico Lara, no bairro Morada do Vale II, em busca de pistas e de imagens de câmeras de segurança que possam apontar os suspeitos, que ainda não foram identificados.

As duas vítimas fatais do tiroteio, Taís Pires da Silveira, 24 anos, e Gabriel Mallet de Ataíde, 21 anos, não tinham antecedentes criminais. Ainda não se sabe se eles eram os alvos dos atiradores. Os criminosos chegaram ao bar, onde ocorria um baile funk, em dois veículos. Eles mandaram as pessoas se abaixar e abriram fogo contra a boate. Foram utilizadas armas de diversos calibres, como fuzil, espingarda, revólver e pistola.

Ainda na manhã deste domingo os carros foram localizados próximo à parada 76, em Gravataí. O Ford Ka branco e o Chevrolet Captiva form encaminhados ao Instituto-Geral de Perícias (IGP). “Queremos ver se indeitificamos as digitais dos suspeitos”, diz Borba.

Em menos de dois meses, 12 mortes

A violência vem se alastrando em Gravataí nos últimos meses. Entre 28 de agosto e 20 de outubro, 12 pessoas foram mortas segundo levantamento do Correio do Povo. A maioria das vítimas é jovem e foi assassinada.

O caso de maior repercussão na cidade foi o de dois jovens que foram obrigados a abrir a própria cova. Os criminosos gravaram um vídeo com os primos Wagner e Victor da Rosa, de 17 e 22 anos, fazendo um buraco no chão, depois sendo executados por arma. Os homens ainda atearam fogo nos corpos dos jovens.