Ao sentirem aumento da violência, moradores da Zona Sul reformam posto policial

Beatrice Rocha é vice-presidente da associação que organizou a reforma
Anselmo Cunha / Especial

Unidade da Brigada Militar na Rua Déa Coufal foi recuperada a partir de mobilização em grupo de WhatsApp

ZERO HORA

Foi o “mal comum” que uniu os moradores de Ipanema, de acordo com a comerciante Beatrice Rocha, 58 anos. Sentindo a violência se agravar no bairro da zona sul de Porto Alegre, os vizinhos decidiram arcar com a reforma do posto da Brigada Militar na Rua Déa Coufal. A mobilização viabilizou a abertura dele 24 horas por dia — antes, em razão do estado precário do imóvel, policiais ficavam apenas alguns momentos do dia no local.

A ação foi organizada por meio do grupo de Whatsapp que a Associação de Moradores do Bairro Ipanema (da qual Beatrice é vice-presidente) mantém junto com alguns integrantes do batalhão. A BM disponibilizou uma lista do que precisava, e os moradores escolhiam o que queriam comprar — ou deixavam dinheiro como crédito em uma loja de materiais de construção do bairro.

Em um mês e meio, a lista já tinha sido vencida. Foram doados beliches, mesa, cadeiras, armários de quarto, armário de cozinha, fogão, geladeira, louças, panelas, micro-ondas, cafeteira — e muitos doadores faziam questão de ir pessoalmente levar. O sofá, que tinha as molas saltando para fora, foi reformado, e o forro do prédio foi trocado. A parte elétrica ficou a cargo de um morador do condomínio ao lado, voluntário.

Anselmo Cunha / Especial
Anselmo Cunha / Especial

Com a ajuda de um profissional contratado por meio de vaquinha dos moradores, policiais militares trabalharam nesta semana no telhado da casa. Telhas novas foram adquiridas, e foi necessário trocar a madeira que as sustentam para acabar com as infiltrações. O major Fabio Kuhn, comandante da 3ª e da 4ª companhias do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), afirma que, até o final de janeiro, os brigadianos também devem providenciar a pintura do espaço.

O posto já está aberto 24 horas por dia desde outubro, e há policiais alojados no local. Beatrice avalia que, desde então, a violência não diminuiu, mas nota-se que a resposta da polícia está mais rápida.

Ela destaca a apropriação dos moradores quando revitalizam algum espaço do seu bairro:

— O que mais surpreendeu é o carinho que hoje a comunidade tem pela Brigada, algo que antes era impessoal. Acho que a comunidade adquire um afeto por aquilo que fez. E, esse grupo, eu reparo que quer fazer cada vez mais.

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