PM forma rede de solidariedade para ajudar família de catador em Sapucaia

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28_01_16diego7sap-1298038História de amizade e de solidariedade ganhou força depois de ser divulgada nas redes sociais

Sapucaia do Sul – O que era para ser mais um dia de trabalho para dois homens até então desconhecidos acabou unindo as histórias do policial militar Régis Passos Borges, 26, e do catador Jorge Airton Belmonte, 52, na última terça-feira (26), em Sapucaia do Sul. Ao parar com a viatura no posto de gasolina Régis encontrou Jorge e os quatro filhos, que descansavam depois de horas caminhando sob o calor de quase 40 graus. Apesar de perceber a família, Régis seguiu com o patrulhamento de rotina pelas ruas até reencontrar os cinco, dessa vez atravessando o túnel no Centro.
“Pensei que tinha que fazer algo para ajudar aquela família. Parei a viatura e fui falar com aquele senhor”, conta o policial. Na conversa Régis descobriu que Jorge criava sozinho os filhos, com idades entre 6 e 10 anos em uma casa improvisada de uma peça, em um beco na Vila Feliz.

“Pedi se podia tirar uma foto para divulgar na internet, onde contaria a história deles e ele deixou. A partir daí comecei uma campanha no meu perfil e nas páginas da cidade no Facebook para auxiliá-los a construir uma nova casa”, conta o policial. Em poucos minutos foram milhares de curtidas, compartilhamentos e mensagens de pessoas dispostas a ajudar. “Até me assustei. Em pouco tempo muitas pessoas que eu não conhecia começaram a me ligar, perguntando no que podiam colaborar”, conta. Segundo Régis a prioridade foi dada a material de construção, roupas e alimentos. “Tenho uma filha de dois anos e na hora me coloquei no lugar deles. Só fiz o que estava ao meu alcance”, diz. Conforme Régis as doações podem ser feitas na casa da família que fica em um beco que corta a Rua das Abelhas, na Vila Feliz. É o último beco antes da BR-116.

“É como se fosse nosso padrinho ” 

Ainda incrédulo com a quantidade de doações que chegam ao casebre simples, Jorge sorri fácil ao lembrar daquela terça-feira de sol forte, quando conheceu Régis. Seja por acaso ou por destino o encontro do dois trouxe a esperança de uma vida nova e feliz para a família Belmonte. “É como se ele fosse nosso padrinho”,comenta Jorge, que vive no local há 10 anos e que há três cria os filhos sozinho, desde que a mulher deixou a casa para viver em outra cidade.

 “Eles são tudo pra mim” 

Quando não estão na escola Emilie, 10, Leonardo, 9, Alex Sandro, 7 e Kathleen 6 percorrem as ruas ajudando o pai na reciclagem. Os maiores auxiliam empurrando o carrinho, já que o patriarca, com problemas de pulmão por vezes perde as forças durante a labuta. A caçula vai dentro da caçamba. “Muitas pessoas já pediram para adotá-los, mas eu jamais deixaria uma coisa dessas. Nunca vou me separar dos meus filhos. Eles são tudo para mim”, comenta Jorge.

 Alimentos armazenados na rua 

A antiga casa onde a família morava precisou ser demolida pois ameaçava desabar. No cômodo erguido às pressas ficam as camas, uma televisão e as roupas de Jorge e das crianças. A geladeira e uma pequena prateleira onde são armazenados os alimentos ficam na rua, sob um telhado improvisado. Até ter onde guardar, é ali que Jorge vai acumulando as doações. Entre os pequenos a expectativa é de receber dos voluntários também brinquedos e material escolar. “Todos nós adoramos estudar. Passamos de ano direto”, conta, orgulhoso, Leonardo.
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