Policial salva recém-nascido de afogamento em Sapucaia do Sul

115
Soldado Jean e a menina Maria Eduarda
Soldado Jean e a menina Maria Eduarda

Bebê de 20 dias de vida perdeu os sentidos quando se afogou após ter sido amamentada 

Sapucaia do Sul – A noite de Natal ganhou novo significado para a família da pequena Maria Eduarda, que hoje tem um mês de vida. A data em que os cristãos no mundo inteiro celebram o nascimento do Menino Jesus, a família de Sapucaia do Sul comemora o renascimento da criança. A menina, então com 20 dias de vida, no dia 24 de dezembro, se afogou após a amamentação. Aos poucos foi perdendo os sentidos e a capacidade de respirar. As tentativas para desafogar a criança estavam sendo em vão até que a mãe da menina telefonou para a Brigada Militar.
Da sala de operações, o chamado foi enviado via rádio para uma patrulha que circulava pelo bairro Capão da Cruz. “Foram uns dois minutos até chegar à casa. Tudo foi muita sorte, de estar no local e naquele horário”, conta o soldado Jean Rodrigues da Silva, 34 anos, que estava acompanhado de mais dois colegas, os soldados Geovane Cliper e Dayane Rees.
O clima de apreensão tomava conta da família, que se reunira para celebrar a noite de Natal. “Inicialmente foram passadas informações para a mãe, mas como a situação era de muito nervosismo, foi necessário nosso apoio”, conta Jean. Quando pegou nos braços a menina, o soldado conta que ela estava com semblante arroxeado e sem respirar. Jean aplicou um manobra de desafogamento específica para recém-nascidos. “Virei ela de bruços no meu antebraço e ‘dei’ uns tapinhas nas costas. Em seguida aproximei a menina foi meu ouvido e percebi que ela havia voltado a respirar”, conta.
Os policiais ainda permaneceram com a criança até a chegada do Samu, que levou a criança para o hospital, onde esteve em observação até as 23 horas. “Eles ainda conseguiram passar o Natal em casa, mesmo depois de tudo”, acrescenta o soldado.
Detalhes que fizeram a diferença
Além da proximidade dos policiais ao local, o soldado Jean possui treinamento em primeiros socorros. “É uma área que gosto bastante”. Há dez anos na Brigada e com muitos cursos de salvamento no currículo, esta foi a primeira vez que Jean aplicou na prática uma manobra de salvamento. “Na hora não pensei em mais nada, meu foco foi em salvar a criança. Mas quando cheguei em casa, desabei”, revela o soldado que também tem um bebê em casa.
Alívio no Natal e vizinhos reunidos
Era para ser uma noite de comemoração em que o centro das atenções era Maria Eduarda, que nascera no dia 4 de dezembro. A primeira filha do casal Kelen Karina Sander, 35 anos, e Maiquel Luciano Gonçalves, 41. Os pais e a irmã de Kelen estavam na residência quando a tensão com o afogamento da menina começou. “Ela tinha acabado e mamar na mamadeira, esperei a digestão e me deitei com ela na cama. Então, minha filha vomitou, e foi aí que ela começou a perder os sentidos”, lembra Kelen.
A mãe da menina disse que tentou reanimar a filha fazendo o mesmo procedimento para desafogá-la, mas que não conseguiu. A irmã dela chegou a chamar uma vizinha enfermeira para socorrer a criança, enquanto Kelen telefonou para a Brigada Militar. “Me passaram orientações, mas eu não conseguia reanimar minha filha. Eu estava muito nervosa”, admite. Depois do atendimento do policial e de ter ido para o hospital, a família ainda conseguiu celebrar aliviada a noite de Natal. “Quando voltamos tinha muitos vizinhos nos esperando para saber como a Maria Eduarda estava. No fim tudo ficou bem”, comemora.
JORNAL VS