“A proporção está favorável para eles”, afirma delegado

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Raiva contida da população assusta o delegado Leônidas Costa Reis
Raiva contida da população assusta o delegado Leônidas Costa Reis

Após reagir e matar assaltante em Porto Alegre, delegado Leônidas, de Carlos Barbosa, reflete sobre a crise na segurança pública

O clima de terror vivenciado em Porto Alegre envolveu uma figura conhecida de Bento Gonçalves. O delegado Leônidas Costa Reis, 54 anos, titular em Carlos Barbosa e que trabalhou por 12 anos na Capital do Vinho, reagiu a uma tentativa de assalto na noite de terça-feira, 15 de março. Um dos bandidos foi atingido e acabou falecendo horas depois. O roubo não foi consumado e as vítimas saíram ilesas.

Com 34 anos de serviço policial, esta foi a primeira vez que o delegado Leônidas utilizou sua arma contra uma ação criminosa fora de serviço. Porém, ele ressalta que reagir é um risco e não pode ocorrer em qualquer situação. “Mesmo um campeão de tiro, depois de ter sido abordado e rendido, não conseguirá fazer muita coisa. São necessários todos estes fatores, estar armado, bem treinado, atento e ter a oportunidade”, ressalta.

Jornal Semanário: O que aconteceu na terça-feira?
Delegado Leônidas Costa Reis: Fui a Porto Alegre visitar meus filhos, que são estudantes e moram lá. Após o encontro, ingressamos no carro para ir jantar. Quando eu manobrava, um veículo passou e parou alguns metros adiante. Desembarcaram dois jovens, já com a arma na mão, correndo e gritando. Por obrigação funcional, eu estou sempre armado. Saquei a minha arma e efetuei dois disparos pela vidro para-brisa. O que vinha mais na frente tombou de imediato e o de trás cambaleou, mas levantou e saiu correndo. O veículo dos assaltantes arrancou e o segundo assaltante fugiu pela esquina. Gritei com os populares para chamarem a polícia e não demorou para chegar um motociclista da Brigada Militar. Só quando voltei para casa que surgiu a notícia da morte deste indivíduo.

JS: Foi a primeira vez que o senhor efetuou um disparo fora de serviço?
Delegado Leônidas: Como vítima, em uma situação de cidadão comum, sim foi a primeira vez. Quando saímos para atuar em uma diligência, vamos preparados, de sobreaviso. Mas em um momento de lazer, com a família, se envolver em um fato assim, é bem incomum.

JS: Diante desta crise na segurança gaúcha, como é para o senhor sair para rua, especialmente em outras cidades?
Delegado Leônidas: As informações que temos do pessoal lá de Porto Alegre é que o clima de insegurança está muito grande. Todo mundo fala que, se não foi assaltado, o irmão, a esposa ou alguém próximo foi. Esta sensação de insegurança é pior que a própria insegurança. O sentimento está muito latente e pude ver nesta situação. As pessoas queriam linchar. O pessoal está com uma raiva contida e se sentindo acuado.

 Jornal Semanário