(In)Segurança Baixo efetivo da Brigada torna pequenas cidades vulneráveis

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Baixo efetivo deixa algumas regiões com apenas uma viatura circulando em alguns dias /JB Cardoso/FN
Baixo efetivo deixa algumas regiões com apenas uma viatura circulando em alguns dias /JB Cardoso/FN

Regiões com cinco cidades são servidas por apenas uma viatura em determinados dias

O assalto em duas agências bancárias ao mesmo tempo na última segunda-feira, 21, em São Pedro da Serra comprovou a falta de segurança no Vale do Caí, principalmente devido à carência de efetivo de policiais. A Brigada Militar no Rio Grande do Sul está com seu menor número de agentes desde 2006. Há dez anos o estado contava com 23.158 policiais. Neste ano, no mês de março, a corporação tem 21.269 brigadianos em suas fileiras. Um problema que se reflete em todas as regiões. No Vale do Caí não poderia ser diferente.

Uma viatura para várias cidades
Conforme a Brigada Militar de Salvador do Sul, trabalham apenas dois policiais por turno para atender quatro municípios, incluindo Barão, São José do Sul, São Pedro da Serra e Salvador do Sul. O patrulhamento nas quatro cidades ocorre com uma única viatura com dois policiais durante a noite. E nos dias úteis fica um PM em cada cidade. A informação foi confirmada pelo comandante regional da Brigada Militar, coronel Leodimar Aldo Mantovani.

Em outros pontos do Vale do Caí a carência de policiais também é sentida. Uma única viatura, com dois policiais, faz patrulhamento nas cidades de Bom Princípio, Tupandi e Harmonia. Os postos da Brigada também ficam fechados na maior parte do tempo, já que os PMs têm que sair para o patrulhamento. Isso dificulta o próprio funcionamento do videomonitoramento que existe em Bom Princípio.

Na Feliz, além do próprio município, a Brigada atende as cidades de Vale Real, São Vendelino, Alto Feliz e Linha Nova.

Com o pouco efetivo, em alguns momentos uma única viatura com dois policiais faz o patrulhamento em quatro cidades.

Apenas na Feliz o quartel da Brigada está aberto 24 horas por dia. Já o Caí também é responsável pelo patrulhamento em São José do Hortêncio. O comandante do 27º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major Oberdan do Amaral Silva, diz que mesmo com a falta de efetivo a Brigada Militar tem intensificado a fiscalização e realizado operações visando combater a criminalidade.

Planejamento
Em Montenegro a Brigada Militar precisa usar de muitas estratégias para superar a falta de efetivo e seguir prestando o serviço à sociedade. O tenente coronel Marcos Vinícius de Souza Dutra, comandante do 5º BPM, não divulga o número de servidores por turno, mas admite que o efetivo é muito abaixo do ideal. “Pelo menos 45% abaixo do que seria recomendável”, aponta.

A estratégia, de acordo com o oficial, é direcionar as ações de acordo com os índices. “Temos os levantamentos onde há maior incidência de determinados crimes, assim como dias e horários. Com base nestes dados organizamos nosso trabalho”, explica. Dutra ainda cita que a Brigada Militar, apesar do baixo efetivo, segue dando cobertura para a guarda da Penitenciária Modulada de Pesqueiro e ao Pólo Petroquímico. “Durante a Operação Golfinho tivemos mais dificuldades, mas com a volta dos policiais, podemos realizar ações mais efetivas”, informa.

O comandante do 5º BPM lembra também que atualmente ocorre a Operação Avante, com ações pré-programadas com foco em determinados delitos. Em Montenegro já foram realizadas duas etapas e outras devem acontecer em breve.

FATO NOVO