Favoráveis ao pacote de Sartori, federações empresariais dizem que não querem “estado empreendedor”

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sartori-960x600Em coletiva, entidades confirmaram que vão pressionar deputados indecisos do PDT e PTB a votarem a favor da proposta

Às vésperas da votação, na Assembleia, do pacote de austeridade encaminhado pelo governador José Ivo Sartori (PMDB), que extingue fundações e prevê o desligamento de 1,2 mil celetistas para tentar reduzir custos do estado, as federações empresariais do Rio Grande do Sul reiteraram, nesta terça-feira, apoio integral às medidas.

As Federações da Agricultura (Farsul), das Indústrias (Fiergs), do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) e das Associações Comerciais e de Serviços (Federasul) do Rio Grande do Sul, assim como o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e a Agenda 2020, apresentaram uma pesquisa, encomendada ao Instituto Pesquisas de Opinião (Ipo), sobre como a população gaúcha vê as propostas do Executivo. A pesquisa foi solicitada em 5 de dezembro e aplicada entre os dias 6 e 9.

Questionadas sobre o motivo para apoiar um pacote que não prevê mudanças economicamente rentáveis para o Estado, já que privatiza fundações, o vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, afirmou que as entidades não veem necessidade de um estado empreendedor – papel que, para eles, é exclusivo do setor privado.

“Queremos deixar bem claro que nós queremos um mega estado em saúde, educação e segurança. Isso foi o que a nossa pesquisa mostrou. Foi o que as pessoas disseram o que querem do RS. Queremos um estado enxuto nas demais atividades. Nós não queremos um estado empresário e empreendedor, isso cabe à iniciativa privada. E por isso que estamos aqui para colocar aquilo que a pesquisa nos demonstrou no sentido de que tenhamos que diminuir o tamanho do estado porque o setor privado não consegue mais carregar o RS nesse inchaço que ele permanece”, disse Pereira.

Os representantes das federações reiteraram que, independente do resultado obtido na pesquisa, as entidades não tinham intenção de mudar a postura de defesa integral ao pacote do Executivo. As entidades também relataram que vão procurar as bancadas do PDT e do PTB para pressionar que deputados indecisos votem a favor do pacote.

A cientista social e política do IPO, Elis Radmann, responsável pela apresentação da pesquisa, afirmou que a formulação das perguntas ocorreu de um dia para o outro e com base em dados divulgados pelas federações.

Questionados se as federações estão dispostas a se unir e pressionar o estado para que haja um ‘pente-fino’ nos altos salários, o vice-presidente da Farsul afirmou que sim.

Demais dados

– 65,5% dos entrevistados apontaram que o RS mudou para pior nos últimos anos;
– Na pergunta estimulada sobre qual dos males os entrevistados entendem ser mais prejudiciais ao RS, 61,6% afirmaram que é o desperdício de dinheiro público, seguido de 15,6% de serviço mal prestado.
– Sobre a satisfação de morar no estado, somente 9,3% se disseram muito satisfeitos, enquanto 56,1% afirmaram estar satisfeitos e 28,1% insatisfeitos.
– A pesquisa foi realizada em sete mesorregiões do estado, em 40 cidades, ouvindo 1,5 mil pessoas.

Fonte: Vitória Famer | Rádio Guaíba